segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A Recuperação em Futebol




Nos últimos dias muito se tem falado se o Sporting está ou não apto para defrontar o Benfica. O motivo da divisão reside no facto de o Sporting, que teve jogo para a Liga Europa na Sexta-feira passada, voltaria a jogar contra o Benfica na Segunda-feira seguinte. Este é um tema que carrega em si alguma discórdia. O que me proponho, mais uma vez, não é trazer a público mais uma “receita” do que deve ser feito ou como deve ser feito, apenas pretendo partilhar uma visão de como se pode tratar esta questão tão importante para o treino de qualquer modalidade desportiva.
           
         No plano energético-funcional o futebol é caracterizado como um exercício acíclico e de longa duração, em que se combinam fases curtas de alta intensidade com longos períodos de intensidade média e baixa. Apela-se, por isso, aos três sistemas de produção de energia: anaeróbio aláctico, anaeróbio láctico e oxidativo (Aroso, 2003; Rebelo, 1993; Reilly, 2005). No entanto, os sistemas anaeróbio aláctico e oxidativo parecem desempenhar um papel de maior preponderância (Bangsbo,1994). A literatura aponta para as 48 horas como sendo o limite mínimo para se estar recuperado de um esforço com estas características. De um jogo de futebol resultam sempre dois tipos de fadiga, a central e a periférica: A fadiga central diz respeito à fadiga provocada no sistema nervoso central consequência do stress, dos elevados níveis de concentração que são exigidos ao longo do jogo e do constante processar de informação e consequentemente dar resposta à mesma; A fadiga periferia ou muscular, é aquela que resulta da elevada concentração dos substratos do metabolismo (Lactato, H+, Pi, ADP), provocando dor e condicionando o movimento.

            A literatura aponta para que a eficiência do treino de recuperação é tanto maior quanto mais próximo esteja do pós jogo, logo, quanto a mim, é um contra censo, o jogo se realizar no domingo e o treino de recuperação ser realizado na terça-feira à tarde (equipas profissionais ou semiprofissionais). A minha opinião vai no sentido de que este deve ser realizado logo na segunda-feira de manha e só depois os jogadores ficarem de folga (exemplo para um jogo por semana).

            No que toca ao treino de recuperação, o que eu proponho e defendo, é que este deve ser realizado o mais próximo do pós jogo, defendo que em vez das habituais corridinhas de baixa intensidade, se podem e devem criar exercícios e condições para valorizar esse treino no sentido de o aproximar ao modelo de jogo de cada treinador, o passe e o jogo posicional são aspectos transversais a todos os modelos de jogo independentemente da importância que cada treinador lhe possa atribuir, pois estes aspectos estão sempre presentes num jogo de futebol. Assim, quanto a mim, podemos treinar estes aspectos (entre outros) enquanto se recupera; Exemplo, num espaço reduzido, podemos efectuar exercícios de posse de bola ou jogos de posição, em superioridade numérica, em que os jogadores em posse percorrem pequenas distâncias para poder dar linhas de passe e receber a bola, os jogadores sem posse procuram efectuar um oposição passiva, sem entrar ao homem e sem qualquer tipo de agressividade, procurando apenas uma ocupação racional do espaço (os jogadores devem trocar de funções). Este tipo de exercícios de baixa intensidade visam, do ponto de vista físico, apenas aumentar o fluxo sanguíneo nos grandes grupos musculares de forma a ajudar à remoção dos substratos metabólicos, com a vantagem de podermos trabalhar questões importantes do modelo de jogo adoptado, assim como aliviar a fadiga central, pois este tipo de exercícios são bem mais atractivos para os jogadores que andar a correr à volta do campo. O treino de recuperação deve contemplar os alongamentos, quer estáticos quer dinâmicos, massagens, banhos quentes e frios. Este tipo de "recuperação" pode também ser importante, tanto mais na medida em que os jogadores acreditarem na validade dos mesmos.

        Vitor Frade defende que não há apenas uma forma de jogar e de treinar, logo não há nem pode haver apenas uma forma de recuperar! Na minha opinião, a forma como se recupera tem que estar intimamente ligada à forma como se joga e treina. As equipas de Top Europeu, caracterizam o seu jogo como sendo de períodos de intensidade máxima e como o seu treino assenta na periodização táctica e na especificidade, este tipo de acções são treinadas,logo, há um recrutamento massivo das unidades motoras e neurais, que são sempre as mesmas porque a necessidade de aperfeiçoar aqueles comportamentos assim o exige.

       Assim, é necessário recuperar dentro do próprio treino, logo a periodização dos mesmos deve contemplar nas suas unidades a recuperação durante exercício e entre exercícios.

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