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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Descoberta Guiada – Facilitar versus Dificultar



O ensino do futebol tem vindo, ao longo dos tempos, a sofrer alterações no que diz respeito à sua forma e ao seu conteúdo. Era (e ainda é) frequente ver treinadores de jovens atletas a ter uma atitude completamente dirigista no que respeita ao que os seus alunos/jogadores devem fazer nas sessões de treino.
Para além de existir, por parte dos treinadores, um dirigismo excessivo, o recurso a exercícios analíticos, completamente descontextualizados do que é o jogo e as suas necessidades, foi e é também uma prática corrente.
Os intervenientes (treinadores) no treino de jovens jogadores têm, por norma, este tipo de comportamentos, o que se poderá justificar ou pela ausência de conhecimento de outros métodos de ensino ou porque acreditam que esta é a forma mais eficaz de uma criança – aquele ser pequeno e frágil – aprender.
Creio que este tipo de comportamento revela um total desconhecimento do desenvolvimento das criança, pois estas, em idades mais tenras, num espaço de tempo, tao curto, como os primeiros 18 a 24 meses de vida (estádio sensório-motor ou primeira infância), passam de um estado de completa dependência, a realizarem coisas tão importantes e difíceis de fazer como é o caminhar e o falar. Nos anos seguintes, nas idades compreendidas entre os 5/6 anos até aos 11 anos, as crianças apresentam uma inesgotável capacidade de aprendizagem. Compete ao Treinador/Professor “bombardear” os jovens praticantes com a maior variedade de estímulos possível.
Como se não bastasse, os Treinadores/Professores, para além de terem uma postura completamente dirigista, ainda incorriam/incorrem no erro de dar aos jogadores a solução do exercício proposto. Parece-me, que este tipo de comportamento não traz consigo a variedade de estímulos suficientes para o desenvolvimento motor e psíquico que as crianças podem atingir nesta fase de desenvolvimento.   
            A minha proposta vai no sentido de que o treinador deve propor um objectivo a atingir, mudando o meio, ou seja, alterando as variáveis do exercício. Esta nova forma de ensino, denominada de “Descoberta Guiada”, consiste, nada mais, nada menos, no professor propor um exercício, definir um objectivo e criar as condições para que os seus jogadores atinjam o fim pretendido. Não deve, em momento algum, facilitar a tarefa aos mesmos, dirigindo o exercício ou dando soluções… Deverá, assim, permitir que os mesmos errem e quando isso acontecer a atitude a adoptar será questioná-los se perceberam qual seria a melhor opção a tomar no momento, perante a situação que o jogo lhes propôs.
            O erro assume um papel importante neste processo de aprendizagem, pois o erro permite aos jovens jogadores a oportunidade de descobrirem outros caminhos para o objectivo a alcançar. Já no tocante ao Treinador, o erro permitir-lhe-á efectuar as questões necessárias para, deste modo, guiar o seu aluno à resposta por si pretendida. Assim, o erro nunca deverá ser recriminado, devendo-se felicitar o jovem atleta sempre que este atinja o sucesso.
            Acredito que a melhor forma de ajudarmos os jovens jogadores a atingir o máximo das suas potencialidades é a de lhe criarmos o maior número de dificuldades possível e não nos deixarmos cair na tentação de lhes darmos a resposta.